A HackerRank disponibilizou comercialmente o Chakra, um agente de inteligência artificial desenhado para conduzir entrevistas técnicas, observar o desempenho dos candidatos e avaliar o processo de resolução de problemas. Segundo a TechCrunch, a ferramenta passou por seis meses em fase de testes, período no qual realizou mais de 500 mil entrevistas com empresas como Snowflake, Snorkel e Capgemini.
O modelo de avaliação tradicional da HackerRank, centrado em desafios de codificação, perdeu utilidade diante da facilidade com que qualquer pessoa hoje produz código com auxílio de IA. O CEO e cofundador da empresa, Vivek Ravisankar, compara a transição para o Chakra ao movimento da Apple ao substituir o iPod pelo iPhone. A nova aposta foca na chamada fluência em IA, que mede como o candidato formula problemas para a inteligência artificial, avalia os resultados e conduz a solução, indo além do simples resultado final.
Como funciona o processo de avaliação com IA
Durante uma entrevista com o Chakra, o candidato trabalha num repositório de código real dentro de uma interface que inclui um assistente de IA. O sistema monitoriza a atividade e intervém com perguntas de acompanhamento, questionando as escolhas do programador ou alterando restrições do problema para testar o julgamento e o pensamento crítico. O objetivo declarado é simular o trabalho real em vez de aplicar um teste de codificação estático.
A estrutura do processo de contratação também muda. O que antes exigia três etapas distintas, como a triagem por um recrutador, um teste para casa e uma entrevista técnica com um engenheiro, foi unificado num único momento. De acordo com a TechCrunch, a empresa reportou uma redução de 70% a 80% nos alertas de atividade suspeita durante estas sessões, sugerindo que o acesso à IA dentro da própria plataforma diminui o incentivo para o uso secreto de ferramentas externas.
Desafios na adoção e o futuro do recrutamento TI Portugal
A delegação de avaliações a algoritmos levanta questões sobre o peso das decisões de contratação. A HackerRank afirma que o Chakra serve para pontuar o desempenho, mas a decisão final permanece humana, permitindo que os entrevistadores foquem em avaliar o alinhamento cultural e a interação com a equipa. O CEO da empresa defende que o sistema, quando configurado corretamente, aplica critérios de forma consistente, reduzindo vieses humanos ligados à formação ou background do candidato.
Contudo, a utilização destas ferramentas enfrenta escrutínio regulatório crescente. Em locais como Nova Iorque, o uso de sistemas automatizados em decisões de emprego exige auditorias de viés independentes e aviso prévio aos candidatos. Para o mercado de recrutamento TI Portugal e Brasil, a implementação destas tecnologias coloca o foco na capacidade das empresas em adaptar os seus processos internos para cumprir requisitos legais enquanto integram a avaliação de competências em IA no dia a dia. O que resta saber agora é se a confiança dos gestores técnicos nestes sistemas será suficiente para substituir os métodos tradicionais de entrevista que ainda dominam o setor.


